Manifesto Vozlivre

From Futuragora Wiki
Jump to: navigation, search

Em crise, um sistema totalmente em crise.

Pois bem, a crise económica, a última, é consequência da crença cega na capacidade de auto-regulação dos mercados e, em grande medida, na falta de controle sobre as actividades de agentes financeiros. Durante anos e anos, especuladores tiveram lucros excessivos, investindo o dinheiro que não tinham em negócios mirabolantes.Estamos por saldar essa aventura. Esse sistema ruiu como um castelo de cartas e com ele veio abaixo a fé dogmática no princípio da não intervenção do Estado na economia. Muitos dos que antes abominavam um maior papel do Estado na economia passaram a pedir desesperadamente a sua ajuda. Numa visão menos socialista poder-se-ia dizer que os mecanismos teriam sido suficientes, mas que fechou-se os olhos à realidade. A especulação financeira controlou e encobriu o descontrolo orçamental ao ponto não ser mais possível manter a camuflagem.

Um simples devaneio de um sistema tão bem montado que nos mantém aqui literalmente à espera do que vai acontecer, como se não tivesse consciência do que vem pela frente. Um sistema tão convivente que usará de todas as armas para se manter, perpetuar a condenação evidente. A situação é comparável ao estado de negação de um doente terminal. Desenvolveremos tecnologias que permitirão restaurar este planeta dizem uns. Como se perante o resultado idóneo de uma simples contemplação factual se pudesse afirmar que o Ambiente não está destruído ao ponto de ser reversível. E pior, o enfoque universal sobre todas as forma de evitar as alterações climáticas têm hoje em dia soluções eficazes, eficientes, sustentáveis e seguras. Depende especialmente de uma decisão política. Mas é decisões politicas que os políticos não tomam. E vivemos assim numa servidão generalizada.

Estes políticos são servos deste sistema, é a missão deles manter as coisas como têm sido, manter o domínio e os lucros para as instituições financeiras que servem. Nunca irão agir em favor da humanidade ou do planeta. Não interessa a persuasão ou as palavras que nós usemos. O poder dominante apenas responderá à força, ou com ameaça de desintegração social e mesmo assim irão usar de todos os recursos ao seu alcance. Estamos a falar de governos, exércitos que os servem, e todo o dinheiro do mundo. O sistema não vai colapsar. A elite financeira produzirá quantas notas forem necessárias para manter o seu domínio sobre a humanidade. O poder privado, a propriedade será defendida a todo o custo, e todas as formas de violência serão usadas se não o conseguirem fazer de uma maneira persuasiva. Para manter o estado das coisas, de propriedade sobre aquilo que devia ser uma herança comum.

E é essa herança, comum à humanidade e planetária que está sob ataque. A Terceira Guerra Mundial já começou e quem está a ser destruída e invadida é a nação Natureza. Violada, torturada, manipulada, reduzida, e escravizada, a Natureza está cercada. Um cerco tão apertado que não resistirá muito tempo. Aliás, essa nação encontra-se minada. Nenhum recanto da deste planeta está livre, pressionado por componentes altamente poluentes e mesmo radioactivos, alterados os ecossistemas e até invadidos por espécies não originárias, a Terra está em sofrimento, ás portas da morte. A “obra prima” traiu a sua Mãe.

Mas não é só a Natureza, os animais, plantas e recursos naturais deste planeta que estão em sofrimento, a própria humanidade também está doente. Assistimos às maiores atrocidades provocada pelo Homem sobre a humanidade. Vivemos numa sociedade com fome, doenças curáveis, crime, guerra e violação dos mais básicos direitos humanos. Num planeta cheio de tecnologia e engenhosidade humana em que: “A pobreza é a pior forma de violência.” (Gandhi)

Conseguindo ter consciência desse mesmo estado, a humanidade está passivamente a assistir a este “status quo” de forma indiferente. Parece que está em morte cerebral ligado a uma máquina incapaz de rispostar ou defender-se. E ao contrário, a Natureza , a flauna a flora e o Ambiente, estão a dar todos sinais de que estão a falecer.

E portanto se a Lei não fizer a sua devida função, de salvaguardar este planeta para as gerações futuras e permitirem um nível de consciência humana verdadeiramente livre e feliz, terá de ser conseguido, violando essa mesma Lei. Esse precedente surgiu muitas vezes durante a História. As pessoas que salvaram escravos, acolheram judeus e outros grandes feitos humanitários violaram a Lei.

Temos de agir, não podemos estar no sofá, a clikar no facebook, temos de estar na rua a rispostar. Temos de ter a consciência que as instituições, a maioria das pessoas não estará do nosso lado; por isso temos de nos reunir, a resistência ambiental e cultural, e decidir o quão drásticas deverão ser as medidas a tomar afim de evitar que este sistema, esta cultura, destrua o planeta! Parte da resposta a essa questão passa pela constatação de que a persuasão não funciona, não funcionou. Para sermos bem sucedidos na nossa missão devermos olhar para outros grupos como nós, que no passado, conseguiram mudanças radicais. Quando entramos num ponto sem retorno devemos considerar que o pacifismo não poderá ser a nossa forma de actuação porquanto irá desarmar o povo, a consciência global que começa a surgir. Resistir activamente, praticando a sustentabilidade e combatendo os cancros dessa sociedade é a única forma de actuação que impedirá a humanidade e extinguir a vida neste planeta. A vida, a obra prima do universo, traída por ela mesma.

Quando analizamos bem os poucos defensores da não violência como Dalai Lama, Martin Luther King Jr. ou Ghandi temos de concluir que não foi o seu pacifismo que conseguiu a mudança social que pretendiam. Todas as alterações sociais importantes apenas foram conseguidas por intermétido da força. Aliás, o pacifismo é uma arma do poder dominante no sentido da sua auto-perpetuação. Através dela retiram toda a vontade de resistência.

A maior esperteza dos Nazis para dominarem e exterminarem o povo judeu foi de apresentar-lhes sempre uma vantagem racional. Andar com estrela ao peito ou resistir e possivelmente ser morto? Entrar na carruagem ou resistir e ser morto? Tomar um duche ou resistir? Durante todo o caminho era sempre no melhor interesse racional dos judeus tomar a opção “correcta”. Pois fiquem sabendo que os Judeus que resistiram tiveram maior taxa de sobrevivência do que aqueles que não resistiram.

Nos próximos 50 anos vamos assistir a mais extinções de flauna e flora do que nos passado 65 milhões de anos. Estamos à beira de extinguir a vida neste planeta. Se as temperaturas subirem cerca de 10 graus podemos chegar a um ponto onde nem as bactérias sobreviverão.

Portanto temos de concluir que vivemos numa sociedade completamente desactualizada ao social, cultural e intelectual. Passámos enquanto humanidade os últimos milhares de anos a evoluir a nossa ciência, filosofia e tecnologia sem actualizarmos a nossa engenharia social.

Chegou o momento de tomarmos posição entre deixar continuar a destruição da Terra e as massivas tragédias humanas ou se decidimos aqui e já, um significado à humanidade redesenhando o planeta. Por um futuro sem guerras, corrupção, poluição, pobreza, epidemias e doenças, sem hierarquias e onde os direitos humanos são a nossa base, sem crime, desigualdades, abusos de crianças e todas as coisas terríveis de que somos constantemente informados.

Temos de começar por algum lado, uma forma pacífica ou se ineficaz , a todo o custo, iniciar a transição para uma sociedade melhor. Todas as anteriores formas e sistemas sociais falharam. Portanto chegou o momento! Temos de suprimir todas as acções desumanas não só em Portugal como por todo o Mundo. Temos de conseguir uma forma de vida harmoniosa não só entre nós, como também com o planeta onde vivemos. Para tal temos de alterar drasticamente a forma como pensamos e construir um sistema social totalmente novo em que a nossa consciência possa ascender a dimensões onde nunca esteve.

É como a luz solar cujo espectro visível pelos olhos humanos é uma pequena parte da sua totalidade.

E é por isso que devemos usar os nossos direitos de cidadania e políticos. Temos de nos sobrepor ao poder dominante para erguermos um novo sistema social global. Dispomos do conhecimento, tecnologia e coragem necessárias para transformar este planeta, num paraíso para toda a gente.

Todas as coisas maravilhosas demoram tempo a ser construídas. E este novo mundo não será excepção. O tempo urge, mas para se tornar realidade tem de partir de cada um de nós. Não podemos ficar parados a assistir à extinção deste planeta.

Os modelos sociais actuais, guiados por políticos apenas têm como missão manter-nos no medo, medo do medo, e medo da culpa. E foi esse medo que nos pôs doentes. Nós queremos a vida e não temos medo. Já começámos a construir o novo mundo, consciencializando primeiro e agora, resistindo! A Revolução é Agora!

<ref>Manifesto Voz Livre publicado no site VozLivre.org</ref>

Redigido em 2011 no âmbito do activismo promovido pela FUTURAGORA - Associação para a Economia Baseada nos Recursos.

Notas

Categoria:Artigo

<references />

Fonte: https://docs.google.com/document/d/1bQGAYUOIgMU6RtFtTGAaDUeYbEnj02oqMUjqjD_b4sg/edit